Entrevista

Emma Firenze: onde a moda começa no amor por um cão

Em breve vamos lançar o Marketplace Bone Appétit.

Nunca nos esquecemos de quem nos trouxe até aqui. A matilha da BA.

Neste caso, de forma muito concreta, Paloma e Lucho Sousa.

Cães que cresceram numa família sempre próxima da moda, do detalhe e do gesto bem-feito. E que, sem se aperceberem, nos empurraram numa direção muito clara: não queríamos trazer para a BA produtos que se encontram em todo o lado.

Queríamos trazer os produtos que a família Sousa procurou pelo mundo — com critério, com intenção, com respeito pelos cães enquanto membros da família.

Desta vez, fomos até Itália.

Um território onde “cães bem-vindos” não é uma tendência, é cultura. Onde a alta moda convive com o quotidiano. Onde os cães entram em cafés, mercados e partilham o espaço social como se sempre lhe tivessem pertencido.

É neste contexto que conhecemos Simone Pierattini Fammoni, fundador da EMMA Firenze — uma marca nascida do amor por uma cadela chamada Emma e de uma visão muito clara sobre como a alta moda pode — e deve — respeitar o corpo e o tempo dos cães.

Origem

A EMMA Firenze nasce em Florença, um território de alta moda, artesanato e detalhe extremo.
O que muda quando este universo é pensado para os cães — e não apenas para os seres humanos?

Desde o início, o pensamento fundador da EMMA Firenze foi trazer a excelência do artesanato italiano, em particular o florentino, para o mundo pet. Há oito anos, quando a marca nasceu, os produtos para cães eram muitas vezes de fraca qualidade: materiais pobres, design básico e pouca atenção ao bem-estar. A nossa missão, pioneira a nível internacional, foi introduzir um conceito de alta qualidade e luxo também no mundo deles. Tudo começou com uma necessidade pessoal: a Emma, a nossa bull terrier, sofria muito com o frio, e foi aí que começou um percurso que une amor, funcionalidade e beleza.

A tua marca nasce de uma relação muito pessoal com a Emma. De que forma este amor fundacional moldou a criação da EMMA Firenze e continua a influenciar as decisões da marca?

A Emma foi a minha musa, o meu grande amor e a minha principal fonte de inspiração. Quis dedicar-lhe este projeto, cuidando dele desde o início com a máxima atenção a cada detalhe. As nossas coleções têm uma profundidade de oferta importante e vão desde trelas e coleiras, a bolsas e vestuário feito por medida.

No início, foi fundamental aprofundar o conhecimento das diferentes técnicas artesanais e construir relações sólidas e construtivas com os nossos parceiros, que hoje partilham com paixão e competência a visão da marca. Com o tempo, a EMMA Firenze continuou a evoluir, investindo cada vez mais em investigação: um design que une estética e conforto, materiais de altíssima qualidade e aquela unicidade que nos distingue.

Alta moda vs. pet fashion

Fala-se muito de moda pet, mas raramente de alta moda aplicada ao cão. Onde traças a linha entre estilo, luxo e respeito pelo animal?

Todas as nossas coleções nascem de princípios para nós incontornáveis: respeito absoluto pelo cão, design funcional e verdadeiramente confortável, facilidade de manutenção e uso exclusivo de materiais naturais de altíssima qualidade. A isto juntam-se processos confiados às melhores competências artesanais do território florentino, berço histórico da moda.

Para nós, o verdadeiro luxo está na qualidade global do produto, não na ostentação. O design é sempre sóbrio, mas cuidado ao mais ínfimo detalhe. Além disso, o serviço por medida que adotamos para o vestuário e a malha permite criar peças perfeitamente ajustadas, capazes de responder às infinitas variações de tamanhos e conformações que cada cão pode ter.

Cultura italiana e quotidiano

Em Itália, “cães bem-vindos” é uma prática quotidiana — cafés, mercados, lojas, viagens.
Achas que este contexto cultural cria um mercado diferente para marcas como a tua?

O cão está hoje cada vez mais presente no nosso quotidiano, em todos os contextos: viagens, espaços públicos e vida social. Esta mudança gerou novas necessidades, que exigem produtos e cuidados diferentes do passado.

Trabalhamos também muito com o mercado oriental, onde o papel do cão na sociedade apresenta exigências muito específicas. Por isso, estudámos e desenvolvemos produtos pensados para esses estilos de vida e hábitos, sem nunca perder de vista o bem-estar do animal. Para nós, o cão é um verdadeiro membro da família e, como tal, parte integrante do nosso estilo de vida. Precisamente por isso, cada produto que criamos tem de responder a uma ética clara: não concebemos acessórios inúteis ou que acabem por ridicularizar o cão. O nosso objetivo é valorizá-lo, respeitá-lo e acompanhá-lo com elegância na vida de todos os dias.

Quando falamos de cães como família, a conversa acaba inevitavelmente por chegar à comida.
Como vês o tema da alimentação fresca para cães no contexto italiano — do ponto de vista cultural e de mercado?

Embora não comercializemos alimentos, posso partilhar o meu ponto de vista enquanto companheiro de vida dos meus cães. Sou da “velha escola”: acredito que um alimento seco de alta qualidade continua a ser a melhor escolha, porque é completo em nutrientes e vitaminas e, graças à sua consistência, ajuda também na higiene dentária.

Uma vantagem prática é a facilidade de transporte durante as viagens. Existem ainda alimentos secos formulados especificamente para determinadas patologias, que podem fazer uma grande diferença no bem-estar do cão. Falo sempre de produtos holísticos e de alta qualidade, que respeitam verdadeiramente a saúde e o estilo de vida do animal.

Claro que, de vez em quando, um bom prato cozinhado com cuidado e com ingredientes adequados é um pequeno grande presente para o teu cão: um gesto de amor que ele vai apreciar verdadeiramente.

Bone Appétit

O projeto Bone Appétit une comida, ciência e comunidade. Quando olhas para a BA, o que te parece mais relevante: a abordagem à alimentação, a ideia de família ou a construção de uma comunidade ativa?

O Bone Appétit é um projeto maravilhoso, onde se sente claramente o amor absoluto pelos cães e, como dizia antes, o sentido de “família”, da qual fazem parte também os nossos companheiros de quatro patas. Os conselhos alimentares partilhados são extremamente úteis, porque ainda hoje muitas pessoas acreditam que os cães podem comer as mesmas coisas que nós, colocando a sua saúde em risco.

Achas que em Itália há espaço para projetos que não vendem apenas produtos, mas constroem cultura, pertença e relação — como o Bone Appétit?

Sem dúvida. O conhecimento, o sentimento de pertença e a relação que construímos com os nossos cães são o mais importante. Criar um vínculo sólido com o nosso “amigo de pelo” é a base para uma convivência feliz e harmoniosa.

Infelizmente, em Itália ainda existe pouca atenção a este aspeto: muitas pessoas escolhem um cão apenas pela aparência, esquecendo que cada raça ou cruzamento tem características comportamentais únicas, que podem não ser compatíveis com o seu estilo de vida. Comunicar a informação certa a quem já tem um cão ou a quem está a pensar ter um é fundamental para garantir o bem-estar e a felicidade de ambos.

Construir cultura, não apenas vender

Trabalhar diariamente com cães muda a forma como olhas para a moda e para o mercado?
Que decisões profissionais deixaste de tomar depois de começares a ouvir mais os cães?

Infelizmente, quando olho para o mercado, vejo muitos concorrentes a propor produtos absurdos ou até prejudiciais para os cães. Desde o início, o meu “verdadeiro cliente” foi sempre o cão: enquanto designer, o meu objetivo é encontrar soluções que respondam da melhor forma às suas necessidades.

A moda dita estilos e tendências cromáticas, e claro que me inspiro nelas, mas o que realmente importa é a qualidade e a satisfação de ver os cães perfeitamente confortáveis com aquilo que vestem. A estética continua a ser importante e, hoje, somos uma marca reconhecida internacionalmente pela excelência e atenção ao detalhe.

Desde o início do projeto, avaliei sempre com cuidado e escuta as necessidades tanto dos cães como dos seus companheiros humanos. Cada projeto exige um grande trabalho de preparação e reflexão; por isso, confirmo e reafirmo todas as decisões profissionais tomadas ao longo deste percurso.

A EMMA Firenze trabalha com materiais e processos da alta moda tradicional.
O que te ensinou este rigor sobre tempo, corpo e conforto — quando o corpo é o de um cão?

Sempre pensei que um cinto bonito pode tornar-se uma coleira elegante e que um casaco pode transformar-se num perfeito sobretudo para cão. Esse é o ponto de partida, mas cada projeto exige uma análise cuidada: os materiais têm de ser adequados à vida dos cães, as técnicas precisam de resistir à tração no caso das trelas e, no vestuário, é essencial prever diferentes pesos para responder às necessidades térmicas de cada animal.

Para mim, a criação de um novo projeto inspira-se no mundo humano, mas tem sempre de se adaptar completamente às necessidades dos nossos cães. Nos últimos anos, tivemos a oportunidade de colaborar com alguns dos mais importantes nomes da moda internacional para as suas coleções “pet”. Isso permitiu-nos trabalhar com controlos de qualidade extremamente rigorosos, que superámos com sucesso. Quando marcas de altíssimo nível aprovam os nossos produtos, acredito que seja a prova mais clara da excelência do nosso trabalho.

EMMA Firenze no Barketplace

O que gostarias que a comunidade Bone Appétit visse na EMMA Firenze — para além do produto?
E que mensagem faz sentido deixar agora ao público português, onde a relação entre família, comida e cães está a ganhar um novo espaço?

Todo o projeto EMMA Firenze nasce de um pensamento muito claro: criar um estilo de vida melhor para os nossos cães e para nós. A marca transmite uma mensagem de respeito absoluto pelos cães e valoriza o conceito de qualidade sustentável, que está na base de todos os nossos produtos.

O mercado do fast fashion explora frequentemente as pessoas e produz objetos de fraca qualidade, por vezes até prejudiciais. Nós promovemos, pelo contrário, um consumo consciente: melhor um produto excelente, feito com respeito por quem o cria e com o mais alto nível de competência, do que cem produtos medíocres.

Para terminar: se tivesses de explicar a alguém o maior ensinamento que aprendeste com os cães,
qual seria?

Os cães são grandes mestres de humanidade, amor e transparência absoluta. Nunca deixam de nos ensinar os verdadeiros valores da vida: amam-nos de forma incondicional e sem filtros, e o amor que nos dão vai muito além de qualquer demonstração que um ser humano possa oferecer.

Para mim, viver sem cães é viver pela metade. Eles preenchem uma parte fundamental da nossa existência e dão-nos tanto amor que, no máximo, conseguimos retribuir apenas uma pequena parte. Todo o projeto EMMA Firenze nasce precisamente deste amor incondicional por eles.

Simone Pierattini Fammoni

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