Com o verão à porta e os primeiros mergulhos a piscarem-nos o olho, há uma pergunta que se impõe: todos os cães gostam de água? A resposta curta é… não. Mas a resposta curiosa é que alguns nasceram literalmente para isso.
Existem raças que não só gostam de nadar — foram mesmo selecionadas ao longo de gerações para trabalhar dentro de água. É o caso dos cães Retriever (palavra que significa literalmente “recuperar” ou “trazer de volta” como o Labrador, o Golden Retriever ou o nosso encaracolado Cão de Água Português (sim, esse mesmo que ganhou fama internacional com a família Obama). Estes cães têm características físicas que fazem deles autênticos atletas aquáticos: patas parcialmente palmadas, pelagem resistente à água e uma enorme vontade de recuperar… tudo. Desde bolas, a patos e até pescadores caídos à água.

Depois há os entusiastas por personalidade. O Setter Irlandês ou o Border Collie, por exemplo, podem não ser “especialistas aquáticos”, mas muitos mergulham sem hesitar — sobretudo se houver uma bola envolvida. A motivação, como quase sempre nos cães, é metade da equação.
E claro, há também os mais… cépticos. Bulldogs ou Pugs, que são cães braquicefálicos (de focinho curto) não são propriamente fãs de maratonas aquáticas — e, em muitos casos, nem devem ser incentivados a nadar sem supervisão, devido à sua estrutura física e capacidade respiratória.

Do ponto de vista científico, nadar é um excelente exercício para os cães: melhora a condição cardiovascular, fortalece músculos e articulações e é particularmente recomendado para reabilitação física. Mas como em tudo, deve ser feito com bom senso — introdução gradual à água, ambientes seguros e, idealmente, sem ondas tipo Nazaré.

Por isso, nesta época balnear, se o teu cão olhar para o mar como quem vê um spa… deixa-o aproveitar. Se olhar como quem vê um abismo existencial, respeita. No fundo, tal como nós, podem ser uns “good boys” mas não uns verdadeiros “beach boys”.