Os humanos inventaram uma noite para ter medo. Eu tenho uma sempre que começam a arredar os móveis
Por Ziggy · Cultura
Tenho acompanhado os preparativos para o Halloween com algum interesse. Há abóboras com dentes, esqueletos à janela e pessoas a comprar teias de aranha. Comprar teias de aranha parece-me particularmente estranho numa casa onde me pedem constantemente para não trazer sujidade da rua.
Depois há os filmes. Os humanos apagam as luzes, sentam-se no sofá e pagam para ver alguém entrar numa cave onde claramente não devia entrar.
Eu ladro antes. Poupa-se muito tempo.
Mas respeito o género. Aliás, tenho a minha própria seleção de terror. Quatro clássicos cá de casa, todos com potencial para várias sequelas.
Tenho acompanhado os preparativos para o Halloween com algum interesse. Há abóboras com dentes, esqueletos à janela e pessoas a comprar teias de aranha. Comprar teias de aranha parece-me particularmente estranho numa casa onde me pedem constantemente para não trazer sujidade da rua.
Depois há os filmes. Os humanos apagam as luzes, sentam-se no sofá e pagam para ver alguém entrar numa cave onde claramente não devia entrar.
Eu ladro antes. Poupa-se muito tempo.
Mas respeito o género. Aliás, tenho a minha própria seleção de terror. Quatro clássicos cá de casa, todos com potencial para várias sequelas.
O Aspirador — O Regresso
Começa sempre da mesma maneira: alguém arreda uma cadeira.
O espectador distraído não dá importância. Eu já estou de pé.
Depois abre-se o armário. Surge o cabo. E aquela criatura percorre a sala a engolir tudo o que encontra, incluindo o pelo que distribuí cuidadosamente pelo tapete.
No final, volta para o armário.
Os humanos chamam-lhe arrumar. Eu chamo-lhe deixar o final em aberto.
Psico… banho
Desconfio logo do tom de voz.
«Vem cá, querido.»
Querido? A esta hora?
Ao fundo, ouço água a correr. Há uma toalha fora do sítio. O humano aproxima-se com uma simpatia que não demonstrou quando lhe pedi um bocadinho do jantar.
A realização tenta criar suspense, mas o argumento é previsível.
A minha interpretação na cena da fuga, essa, merece reconhecimento.
A Bola Debaixo do Sofá
Uma bola. Um sofá. Três centímetros de distância a mais.
É tudo o que um bom realizador precisa.
Deito-me. Estico a pata. Mudo de lado. Olho para o humano, que continua a dizer «vai buscar».
Se eu pudesse ir buscar, este filme já tinha acabado.
A tensão sobe até alguém se ajoelhar e usar o braço para resolver o problema. Recupero a bola. Lanço-a outra vez na mesma direção.
Uma sequela deve respeitar o original.

O Último Biscoito
O Último Biscoito
Este é terror psicológico.
Oiço um saco na cozinha. Reconheço o som. Abandono o sofá, atravesso o corredor e sento-me com uma postura que raramente me pedem duas vezes.
O humano abre o saco.
Salada.
Não há música capaz de preparar um espectador para isto.
Por isso, neste Halloween, aceito que ponham um esqueleto à porta e escolham um filme assustador. Eu fico no sofá, a acompanhar a sessão.
Se a personagem principal decidir investigar um barulho na cave, volto a ladrar.
Se o barulho vier do armário das limpezas, a sessão acabou.
— Ziggy
