No domingo, 25 de outubro, os relógios atrasam uma hora. O pequeno-almoço, o passeio e a vontade de ir à rua podem precisar de mais tempo para perceber a novidade. O Dr. Dexter explica.
Por Dr. Dexter · Saúde e ciência
Há uma reunião de humanos que acontece duas vezes por ano e para a qual nunca sou convidado.
Decidem mudar a hora.
Não mudam a hora de uma reunião, de um jantar ou de uma consulta. Mudam a hora de tudo. Depois vão deitar-se muito satisfeitos porque, aparentemente, ganharam sessenta minutos de sono.
Eu acordo à hora habitual.
Vou ter com o meu humano, que olha para o telemóvel e diz: «Dexter, ainda é cedo.»
Estranho. Ontem, a esta hora, estava perfeitamente bem acordado a abrir o saco da comida. Hoje sou eu que estou errado.
Na madrugada de domingo, 25 de outubro de 2026, Portugal entra no horário de inverno e os relógios atrasam uma hora. A alteração está combinada entre humanos. Falta explicar a situação a quem está sentado à espera junto da taça.
O meu relógio não está na parede
Eu posso não saber ler os números do micro-ondas, mas aprendo depressa a sequência dos acontecimentos.
O humano levanta-se. Abre a porta. Vai buscar a trela. Há passeio. Mais tarde, há comida. Reconheço os gestos, os sons e os momentos que se repetem.
Essa previsibilidade conta. Para muitos cães, saber o que esperar ajuda a tornar o dia mais tranquilo. Quando os horários mudam de repente, alguns podem ficar mais inquietos ou continuar a pedir comida e passeio no momento habitual. Outros quase não dão pela diferença. Não há uma reação única para toda a matilha.
Por isso, se no domingo eu aparecer ao lado da cama uma hora antes do que estavas à espera, considera esta possibilidade: mantive o meu compromisso. Tu é que alteraste o calendário.
A adaptação faz-se aos poucos
Para um cão saudável, sem horários alimentares prescritos, pode ajudar ajustar gradualmente as rotinas nos dias anteriores à mudança.
Em vez de atrasar uma refeição sessenta minutos de uma vez, experimenta pequenos ajustes — por exemplo, cerca de dez minutos mais tarde por dia — até chegar ao horário pretendido. A mesma lógica pode ajudar na preparação para o descanso da noite. O objetivo é tornar a transição menos brusca, respeitando a resposta de cada cão.
Não é preciso transformar a cozinha num centro de controlo. Mas convém que as pessoas da casa saibam qual é o plano.
Uma pode pensar que ainda não comi. Outra pode ter acabado de me servir. Eu tenho muitas qualidades, mas não garanto que denuncie imediatamente uma segunda oportunidade de pequeno-almoço.
Manter um registo simples de quem deu a refeição evita esquecimentos e doses duplicadas.

A vontade de ir à rua não tem botão de adiar
Há uma diferença entre esperar um pouco por uma atividade e precisar de fazer as necessidades.
Na primeira manhã depois da mudança, o teu cão pode precisar de sair à hora de sempre — que, no novo relógio, será uma hora mais cedo. Atende a essa necessidade e ajusta os horários gradualmente. Se acontecer um acidente em casa durante a adaptação, ralhar não ajuda: o cão não compreende a alteração dos ponteiros.
Eu também gostava de conseguir carregar num botão e resolver o assunto mais tarde. Até agora, esse equipamento só existe no teu despertador.
O passeio continua a fazer parte do dia
Com o regresso ao horário de inverno, o passeio do fim da tarde pode passar a acontecer já de noite. Vale a pena rever o horário e, quando possível, aproveitar a luz disponível.
Mantém espaço na rotina para passear, brincar e descansar. A mudança da hora não precisa de trazer uma reorganização completa da minha vida social. Sobretudo quando tenho assuntos pendentes com uma árvore desde terça-feira.
E observa como o teu cão se adapta. Cães mais velhos, especialmente com dificuldades cognitivas, podem precisar de uma transição mais lenta. Se estiver a ser difícil, pede orientação ao veterinário. Se houver medicação ou refeições com horários prescritos, confirma com ele como proceder antes de os alterar.
Quanto à prometida hora extra de sono, desejo-te sorte.
Eu vou tentar colaborar.
Mas, se me encontrares ao lado da cama, muito direito, a olhar para ti, não é uma avaria no relógio.
É uma questão pendente na taça.
O teu cão também sabe a hora da comida sem consultar o telemóvel? Conta-me no Instagram @bone.appetit.hub.
— Dr. Dexter